Da dor da perda a alegria da esperança… [por nossa leitora: Andreza Lizziane]

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Em outubro de 2010, após sofrer um desmaio no interior do Estado, descobri no hospital que estava grávida. Um misto de surpresa, tristeza e preocupação, pois imediatamente o médico informou que se tratava de uma gestação ectópica rota, o embrião se alojou na trompa, rompendo-a e ocasionando uma hemorragia interna. O médico informou também que seria realizada uma cirurgia de urgência para conter a hemorragia. Perdi a trompa direita e meu bebê.  E mesmo sem ter planejado ser mãe naquele momento, fiquei bastante abalada com a perda, às vezes ainda penso que se ele ou ela tivesse nascido completaria dois anos este ano.

Depois do ocorrido resolvi realizar alguns exames para conferir se estava tudo bem comigo, afinal um dia pretendia ser mãe. Durante esses exames descobri que tinha o útero septado(uma membrana o dividia ao meio) e eu teria que fazer uma pequena cirurgia para a retirada desta membrana. Em dezembro de 2010 realizei a cirurgia, um procedimento simples, no mesmo dia já estava em casa. Durante o procedimento foi retirado o septo e pólipos endometriais que afetam a fertilidade da mulher, minha ginecologista fez uma limpeza geral.

Pronto, agora estava tudo bem com meu corpo, bastava trabalhar a mente para tentar eliminar o medo de outra gestação tubária e conseguir ser mãe. Passou-se um ano e meio e resolvemos(eu e meu marido) engravidar. Eu já estava novamente trabalhando minha cabeça para uma possível demora, visto que agora só possuía uma trompa. Mas com a graça de Deus, passados quatro meses minha menstruação atrasou, bateu aquela ansiedade, fiz o exame Beta HCG e o resultado deu POSITIVO!!! Liguei pra minha ginecologista que achou o valor do Beta muito baixo e falou: “Pode ser outra gestação tubária, tem que fazer uma USG pra conferir”… Que balde de água fria!!! Lembro que no dia da USG eu não conseguia ficar sentada, esperava ansiosamente a minha vez no meio de várias grávidas. Quando entrei no consultório relatei de imediato ao médico que minha gestação anterior tinha sido tubária e ele bem calmamente disse: “Calma, vamos ver essa agora” e começou a me examinar, em seguida concluiu: “Olha ele aqui, este está no útero, escute as batidas do coração!!!” Coisa mais linda do mundooooo!!! Meu bebê estava a caminho. Alegria total.

Eis que no dia 25/08/2012 chega ao mundo meu pequeno príncipe, meu filho Igor, um bebê lindo e saudável que encheu nossos corações de alegria. A sua chegada trouxe mudanças para nossas vidas. Optei por cuidar dele sozinha. Nossa rotina e nossos horários mudaram totalmente. Hoje vivemos e fazemos a maioria das coisas em função dele, tivemos que nos adaptar aos horários de um recém-nascido, que mamava de duas em duas horas. Minhas horas de sono diminuíram, mas acordava muito feliz por poder alimentar meu filho. Graças à Deus não tive problemas com a amamentação e Igor ainda mama, faço questão de amamentá-lo ao menos até os 6 meses, gostaria de amamentá-lo por mais tempo mas não sei se será possível porque voltarei a trabalhar, mas vou tentar, sem culpa, porque nós mães temos tendência a nos sentir culpadas. Como mãe aprendi a me doar, um filho requer dedicação, muito amor, carinho e muita disposição. Às vezes nos sentimos exaustas, é normal, mas basta um sorriso ou um chorinho que já estamos lá, pronta para atendê-los. Nossos filhos são nossa razão de viver, depois que eles chegam tudo é por eles.

Ainda estou de licença maternidade e só de pensar em voltar a trabalhar já sinto saudades dos momentos com ele, do seu sorriso lindo e inocente, do seu “mmmmmmmmm” que pra mim é um ensaio pra chamar a palavra mais doce e linda, que espero ansiosamente pra ouvir: “mamãe”. Filho lindo, desde que você chegou mamãe e papai são muito mais felizes, você foi muito esperado e é muito amado por todos. Mamãe quer que você seja muito feliz e vai estar do seu lado sempre. Você foi a maior e a melhor mudança de nossas vidas. Papai e mamãe não existem mais sem você.