Não foi em vão… [por nossa leitora: Monique Oliveira]

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Bem, eu me chamo Monique e como qualquer mulher (um pouco garota) no auge dos seus 26 anos, sou fanática por tecnologia seja ela qual for, mas é claro que os planos de felizes para sempre, sempre fizeram parte da minha vida. Sempre fui muito extrovertida, minha mãe diz que eu falo pelos cotovelos desde que aprendi a falar, mas ao contrário do que a maioria das mulheres seguem e sonham eu nunca pensei em me casar, eu sempre fui muito digamos certa do que eu queria, meu grande sonho de futuro até os 18 anos, era de atingir o auge da carreira profissional por volta dos 27, e aos 30 totalmente estabilizada ter um filho independente de pai, pois sempre eu quis ser mãe, e não é me exibindo não, eu sempre soube que uma boa mãe eu seria, claro quem não tem defeitos, mas será mais fácil que eu peque por excesso do que por falta. Ai minha vida deu uma guinada enorme aos meus lindos dezessete para dezoito anos, conheci aquele que eu ainda não sabia iria chamar de esposo, marido, companheiro em um ano e quatro meses de relacionamento, e a menina-mulher que nunca sonhou em casar estava assinando a sua certidão de casamento aos dezenove anos no dia 24 de novembro de 2005, tudo feito por debaixo dos panos, pois as famílias de ambos os lados extremamente festeiras não iriam deixar passar em branco, e nós não queríamos festa, apenas algo mais reservado para pais, irmãos e alguns parentes, então o comunicado que iríamos nos casar foi feito dias antes do casamento propriamente dito, e vocês podem imaginar a cara da família, uns pensavam que eu estava grávida, outros ficaram com raiva por que não haveria festa, outros reclamando que éramos muito novos (e éramos, esqueci de comentar que o meu marido tinha apenas vinte e três anos, porém quando se está apaixonado você percebe alguma coisa, lógico que não), enfim foram muitos questionamentos mais no geral todos gostaram. Então claro vieram os anos, as cobranças, as dificuldades, as crises e tantas outras coisas que os casais passam, eu mesma querendo muito um bebê não queria engravidar, antes de fazer uma faculdade, antes de amadurecer como pessoa. Além disso, teve também teve o pequeno problema do meu marido, um dia ele chegou e me disse que NÃO QUERIA TER FILHOS, e eu “Oi como assim bial?!”, eu já havia feito algo que eu nunca esperava casei, e agora não iria ter filhos, de maneira nenhuma, então a idéia só amadureceu na cabeça dele quando estávamos com cinco anos de casados, por ai. Mas eu ainda estava estudando, e na minha cabeça ainda não cabia a responsabilidade de ter um filho. Só que com vinte e três anos, eu tive a grande perda da minha vida, meu pai (meu exemplo, meu chão, um dos meus dois alicerces) faleceu, então além da tristeza a culpa não cabia em mim, meu Deus eu tive todo tempo do mundo para dar um neto(a) a ele e eu o neguei disso, mas a culpa era só minha, pois meu pai ao contrário de muitos familiares inclusive minha mãe, nunca me cobrou um neto(a) mesmo que eu soubesse que ele gostaria muito de ter um, ele sempre falava: “ela vai ter quando chegar a hora dela, deixa ela continuar os estudos”. E então um grande susto, logo no mês em que meu pai faleceu janeiro de 2010 minha menstruação não veio, então eu muito curiosa sempre fui busquei explicações, e o mais certo era que fosse o abalo emocional mesmo, então deixei pra lá, mas isso foi se alongando e quando eu vi estava há seis meses sem menstruar, e eu falava “meu Deus isso só pode ser uma pegadinha, grávida a poucos meses da perda de meu pai”, e realmente foi uma pegadinha do meu corpo, eu perdi peso e ganhei nesses 6 meses e tive uma leve tolerância a insulina, com isso não tive menstruação, problema esse revertido com uso de anticoncepcional e alimentação mais equilibrada. E assim a vida foi fluindo e continuando, em fevereiro de 2012 tive uma crise de identidade, e questionei com meu marido, se eu iria virar titia para sempre, porque ele não falava em ter filhos e coisa e tal, então ele disse que a gente poderia sim começar as tentativas no final do ano, e eu disse não, eu não quero ter filho em um anos impar, não gosto dos anos impares que rolam na minha família, creio que fique meio receosa depois da ida do meu pai, que nasceu em ano impar, é coisa de cabeça mesmo, só coisas que eu não queria que se repetissem e não obrigatoriamente iriam se repetir, mas todo mundo sabe quando a pessoa coloca uma coisa na cabeça é bem difícil de tirar, então eu disse que iríamos engravidar no fim de 2013 em novembro para ser mais exata (pois eu gostaria muito de ter um filho de agosto, para acompanhar pai e mãe ambos de agosto.), mais um(a) azarão das copas (82 marido, deu azar para o Brasil que perdeu na semi final para Itália, e a mesma foi campeã no ano. 86 eu, trouxe azar para o Brasil, que perdeu logo para os hermanos Argentinos.) ai o bebê iria fechar o ciclo com chave de ouro, fazer o Brasil perder e ainda mais a copa acontecendo no Brasil kkkkkkkk seria azar demais, ou ele(a) poderiam quebrar o ciclo e fazer o Brasil tão desacreditado ganhar em casa. Bem o tempo foi passando e sinceramente não falamos mais a respeito, realmente foi uma crise de identidade. Os meses foram passando, eu me formei na faculdade, e coisa e tal. A menina que iria estar empregada e estabilizada aos vinte e sete anos, aos vinte e cinco nem empregada estava, apenas formada, devendo uma cadeira, mas formada. Os meses foram passando e nada de diferente na vida, então o pensamento de cursar uma nova faculdade veio a toda, psicologia será o meu curso e o sonho de mãe, vai ser adiado por mais dois ou três anos, ainda sou muito nova e quero me estabelecer antes, daí no dia seis de março de 2013, já bem incomodada por que tava sentindo uns incômodos estranhos, e sem menstruação há um mês decidi fazer um beta HCG (exame para saber se uma mulher está grávida) mas só pra desencargo de consciência, pensei logo que fosse a tolerância a insulina novamente, já que estava gordinha, fiz o exame e fui buscá-lo a tarde enquanto a atendente dobrava o papel com um sorriso imenso no rosto eu começava a suar e ficar gelada, meu nervosismo era tão grande que eu perguntei se ela estava vendo algo no exame, e ela com um sorriso largo dizendo que não, saí com exame e acenei para minha mãe que me esperava no carro, quando abri o exame para minha surpresa deu 9576.7, fiz um exame quantitativo, ao invés do qualitativo (positivo e negativo), ai fiquei tão anestesiada que não entendia os valores de referencia, entrei e saí umas 3 vezes do laboratório e ninguém nem falava, só dizia que eu tinha que levar a minha ginecologista para saber. Só que claro que eu não ia esperar tanto, minha prima/irmã só faltou gritar no celular em alto e bom som que eu estava GRAVIDÍSSIMA, caramba, fiquei extremante anestesiada, feliz que não cabia em mim. Corri para a casa da minha sogra onde sabia que iria encontrar meu marido mais cedo ou mais tarde e ele estava lá, parecia que sabia que eu estava chegando. Então sentei ao lado dele, lhe dei um beijo e disse: “parabéns papai!”, só deu tempo dele dizer: “é mentira né?” e eu balancei a cabeça em negativa, então ele ficou paralisado no sofá por 1h, kkkkkkkkkk, enquanto minha sogra, e tias explodiam de felicidade, abraçando e beijando, ele ficou parado por 1h sentando na mesma posição no sofá fiquei aborrecida no momento mais depois entendi. Então começou o corre-corre para arrumar horário o quanto antes com a médica, queria saber como meu bebê estava, tinha que tomar ácido fólico, tem que tomar vitamina, tem que fazer exames de sangue, tem que fazer um ultrassom (ai era meu sonho fazer uma ultrassom). Então comecei a consumir ainda mais informações sobre gravidez, comecei a tomar o ácido fólico no outro dia, por que tava com medo da formação do tudo neural, fiquei paranóica por não saber a idade gestacional, será que já havia passado a idade da formação, ai meu Deus. Tudo melhorou no dia doze de março quando fiz uma endovaginal e vi meu pontinho de apenas 3mm mas com o coração a mil, nossa nem sei o que explicar naquela hora, mesmo com incômodo do exame em si, vê os olhos da minha mãe marejados e eu já sonhando com um monte de coisas ao mesmo tempo não tem preço, descobrimos que eu estava com 6 semanas e 1 dia, fui fazer as contas e fiquei besta, pois foi a única vez em 8 anos que passamos uma noite juntos sem nenhum tipo de método contraceptivo, coisa que eu particularmente fiquei chocada, tudo bem eu imaginava que não tinha problemas de engravidar, mas engravidar de primeira, me senti uma virgem que fez amor pela primeira vez e engravidou, sério foi o que eu senti. Então melhorei a alimentação, tudo de melhor para o meu bebê, cheguei a perder 3kg pela alimentação regrada, comendo de 3 em 3h e coisas saudáveis, tudo de melhor para o bebê, então as semanas foram passando e eu tive uma água sanguinolenta durante a noite, fiquei super preocupada, mas como eu iria para a minha ginecologista no outro dia fiquei preocupada porém segura, pois ela iria me avaliar. Bem, no outro dia estava tentando ficar o menos ansiosa possível, meio difícil, mas eu tava tentando, estava com 10 semanas completas e louca para a minha primeira ultra (minha tão sonhada ultra), a médica me avaliou, fez um toque e eu não tinha dilatação, o colo do útero estava fechado, e não tinha sinal de sangramento, mas minha pressão que nunca foi alta estava 17×11, a médica achou que a pressão poderia ter ajudado a ter esse sangramento, então me prescreveu um remédio de pressão, uma visita a um cardiologista e progesterona pois nos meus exames ela não estava satisfatória para idade gestacional. Assim que sai dali fui correndo a uma farmácia comprar tudo que era necessário. Fiz tudo como mandava o figurino, mas no sábado da mesma semana tive a mesma água sanguinolenta, chorei mas disse que se esse bebê tivesse que ser meu ele seria, não iria estar mais me apavorando, segui com a vida normal, e com os remédios, no sábado da outra semana prestes a completar 12 (3 meses) semanas na segunda, com a ultra marcada para a terça-feira da outra semana, tive um sangramento vermelho vivo, não me alarmei tão pouco meu marido, decidi esperar amanhecer o dia, que noite ruim, mal dormida, minha mãe que está comigo nos momentos possíveis foi conosco até o hospital, então dei entrada, fiz minha ficha, fui avaliada por um médico que passou um exame de urina e uma endovaginal de emergência (mesmo sem querer, era o jeito, mas uma vez sem meu ultra), enquanto aguardava minha vez, pois o médico não havia chegado e tinha pelo menos seis pessoas na minha frente. Minha mãe passou mal e foi socorrida para a emergência do hospital, tive claro que ficar ao lado dela até ela estar estabilizada. Quando ela já estava se sentindo melhor subi para fazer o bendito exame, o médico que prestou os primeiros socorros a minha mãe foi o mesmo que iria fazer o exame em mim, então ele pediu que eu me deitasse para começar, meu marido foi comigo, por que eu queria muito que ele visse o bebê visto que ele estaria com os 3 meses completos no outro dia. A tela da endo não ficou para o meu lado então não pude ver nada, só vi depois de uns dois minutos a cara de bobo do meu marido e mostrando com os dedos o tamanho bem pequeno do nosso bebê, quando chegou a hora de escutar o coração eu não escutei nada, mas não me assustei pois pesquisei em vários fóruns, revistas e livros os médicos poderiam não escutar e não ser caso de problemas com o bebê. Só que no meu caso meu bebê, meu primeirinho, meu tão esperado filho não tinha movimento, e não tinha mais batimento e seu tamanho estava de nove para dez semanas, regredindo para o que deveria estar. Vocês devem imaginar a dor da notícia, que coisa ruim, terrível, eu até hoje nem sei mensurar o que eu senti naquele momento, não pude chorar, porque meu marido já estava em prantos, não poderia chorar assim que saísse do consultório porque minha mãe estava embaixo tomando medicação, eu só pude ficar muito triste e escutar com atenção o que o médico tinha a dizer, creio que ele sentiu tanta pena do nosso estado que dispensou a assistente para nos entregar pessoalmente o laudo em mãos, apertou nossas mãos e disse que queria daqui a um tempo nós dar uma boa notícia, de um novo bebê, que éramos muito novos e poderíamos fazer quantas tentativas quiséssemos. Mas a questão é, eu queria o meu filho, aquele filho, o meu primeirinho, aquele que eu me preparei e mudei durante esses 3 meses. Nossa que sensação ruim! Minha mãe ainda bastante pálida me pergunta como está?, eu digo: “tudo bem.”, mas mãe é mãe, quando ela própria se sentiu melhor me perguntou o que o médico disse, então eu falei de todo o meu estado, que o bebê tinha regredido, e que meu sonho com meu filho em meus braços teria que ser adiado por um período. Saímos do hospital depois de umas duas horas a mais, e foi constatado que minha mãe provavelmente teve esse mal estar por conta da preocupação comigo. Saímos e eu dirigindo (algo que me faz acalmar quando estou muito agitada) fomos para casa, sim para casa, pois não havia mais nada o que pudesse ser feito. Em casa depois de um longo banho, eu só chorei, chorei, chorei e chorei até quando me veio o sono, mas não consegui dormir, e só fiquei imaginando que o meu Noah ou Samantha não seriam mais meus, só foram meus por 3 meses. No outro dia, uma segunda-feira fui para um hospital tenebroso que eu já não gostava, e depois da experiência não gosto ainda mais. Fui informada que o procedimento da curetagem não poderia ser feito no hospital, pois o mesmo encontrava-se com os leitos todos ocupados e que eu deveria procurar outra maternidade. Então fomos para outra maternidade, onde eu fui muito bem atendida, tive o maior apoio possível das médicas plantonistas (bem diferente da médica que estava me acompanhado, que não atendeu ao menos o telefone, para me dar uma orientação do que fazer, afinal de contas era a minha primeira gravidez, eu lá sabia o que fazer se perdesse o bebê). Nesta maternidade me informaram como o procedimento seria feito, já que eu estava com o laudo de aborto retido, ou seja, o bebê já não tinha mais vida, mas o colo do útero estava fechado, tinha que tomar medicação para dilatar o colo e então fazer a curetagem, fui internada à tardinha, a curetagem foi feita por volta da meia noite e meia quando entrei na sala com muito medo, chega as pernas balançavam forte, fui amarrada e sedada. Já acordei com as enfermeiras brincando comigo dizendo que daqui a 3 meses eu já estava bem para tentar outro bebê, quando olhei o relógio na sala já passavam das 01:45 da manhã, fui levada para o meu quarto e fora a cabeça a mil, pois meu bebê já não estava mais comigo, eu estava bem, tomando medicação e tudo corria bem. Por mais bem que estivesse, por dentro eu sentia um vazio gigantesco, e às vezes as pessoas para sempre solidárias ou até mesmo atenciosas te dizem coisas como ‘você é muito nova vai ter filhos a hora que quiser’, ‘foi no comecinho, pior se fosse depois’, ‘não foi agora que você foi mãe, mas já já você vai saber o que é ter um filho’ e  ‘Deus sabe o que faz’. MÃE, mãe não é só parir, mãe não é só quando você tem um filho seu, quantas e quantas mulheres não nasceram para ser mães, e eu que amei tanto minha cria, que tenho disposição para amar ainda mais não sou mãe, claro que sou mãe e ninguém pode dizer que eu sou o contrário de uma mãe, eu amei meu filho intensamente, sacrifiquei todas as besteiras que eu gostava pra dar o de melhor pra ele, fiz planos intermináveis, arquitetei como iria lidar com ele em cada fase de sua vida, iria ensinar-lhe a ser um ser humano, a respeitar ao próximo, tudo que uma mãe de verdade pode proporcionar ao seu filho, e eu não sou mãe por que perdi meu bebê aos 3 meses de gestação, … me poupe disso. De todas essas, só concordo com DEUS SABE O QUE FAZ, só ele sabe mesmo o que podemos aguentar, só ele sabe até quanto podemos suportar, só Deus sabe o tamanho da minha dor e da do meu marido. Agora pelo amor de Deus não tem hora propícia pra perder um filho, sim meu bebê já era meu filho, fosse com 4 semanas, 9 semanas, 10 semanas ou 12 semanas, ele esteve dentro de mim, então eu sei que ele existiu, não tem hora boa de perder um filho. Meu filho me proporcionou 3 meses de felicidades sem limites, re-organizou o amor, o carinho o querer estar junto entre meu marido e eu, nós lembrou que somos um só quando falamos em relacionamento, nos tirou egoísmo, nos fez querer cuidar um do outro ainda mais para um futuro melhor para nós três, trouxe união que estava meio esquecida há um bom tempo. Outras pessoas também falam ‘é ela é forte, nem ta chorando’, é claro que não estou chorando, e muito pior lamentando, eu tive o dom de gerar um filho, de tê-lo comigo carregá-lo em meu ventre por três meses, se chorar fosse trazer meu filho de volta, pode ter certeza que eu iria chorar um Rio Amazonas inteirinho para tê-lo de volta, mas não vai trazê-lo de volta para mim, e não tenho religião específica, mas acredito com todas as minhas forças em Deus. Simpatizo com a doutrina espírita, e sei que para almas desencarnadas não é bom chorar, não devemos ser egoístas, entendi isso na ida do meu pai, e fortifiquei esse pensamento na ida do meu filho, saudades sim, muitas… Mas a tristeza não, nem está reclamando com Deus tipo “por que aconteceu comigo, se eu sou uma boa pessoa”. A grande certeza dessa jornada chamada vida, é que um dia eu vou poder se assim Deus permitir, abraçar o meu filho, abraçar o meu pai, minha avó, aqueles que me deixaram com um gostinho de quero mais. Todos os dias sei que papai do céu leva os meus amores, as minhas alegrias, as minhas lágrimas, tudo que eu oferecer ao meu filho, e quero que ele saiba o quanto amado ele é, e que nunca vai ser esquecido, vai estar cravado em mim mais do que ferro em brasa, o meu Noah ou a minha Samantha que eu nunca vou esquecer, meu primeirinho, meu amorzinho, meu filho.

 

Da dor da perda a alegria da esperança… [por nossa leitora: Andreza Lizziane]

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Em outubro de 2010, após sofrer um desmaio no interior do Estado, descobri no hospital que estava grávida. Um misto de surpresa, tristeza e preocupação, pois imediatamente o médico informou que se tratava de uma gestação ectópica rota, o embrião se alojou na trompa, rompendo-a e ocasionando uma hemorragia interna. O médico informou também que seria realizada uma cirurgia de urgência para conter a hemorragia. Perdi a trompa direita e meu bebê.  E mesmo sem ter planejado ser mãe naquele momento, fiquei bastante abalada com a perda, às vezes ainda penso que se ele ou ela tivesse nascido completaria dois anos este ano.

Depois do ocorrido resolvi realizar alguns exames para conferir se estava tudo bem comigo, afinal um dia pretendia ser mãe. Durante esses exames descobri que tinha o útero septado(uma membrana o dividia ao meio) e eu teria que fazer uma pequena cirurgia para a retirada desta membrana. Em dezembro de 2010 realizei a cirurgia, um procedimento simples, no mesmo dia já estava em casa. Durante o procedimento foi retirado o septo e pólipos endometriais que afetam a fertilidade da mulher, minha ginecologista fez uma limpeza geral.

Pronto, agora estava tudo bem com meu corpo, bastava trabalhar a mente para tentar eliminar o medo de outra gestação tubária e conseguir ser mãe. Passou-se um ano e meio e resolvemos(eu e meu marido) engravidar. Eu já estava novamente trabalhando minha cabeça para uma possível demora, visto que agora só possuía uma trompa. Mas com a graça de Deus, passados quatro meses minha menstruação atrasou, bateu aquela ansiedade, fiz o exame Beta HCG e o resultado deu POSITIVO!!! Liguei pra minha ginecologista que achou o valor do Beta muito baixo e falou: “Pode ser outra gestação tubária, tem que fazer uma USG pra conferir”… Que balde de água fria!!! Lembro que no dia da USG eu não conseguia ficar sentada, esperava ansiosamente a minha vez no meio de várias grávidas. Quando entrei no consultório relatei de imediato ao médico que minha gestação anterior tinha sido tubária e ele bem calmamente disse: “Calma, vamos ver essa agora” e começou a me examinar, em seguida concluiu: “Olha ele aqui, este está no útero, escute as batidas do coração!!!” Coisa mais linda do mundooooo!!! Meu bebê estava a caminho. Alegria total.

Eis que no dia 25/08/2012 chega ao mundo meu pequeno príncipe, meu filho Igor, um bebê lindo e saudável que encheu nossos corações de alegria. A sua chegada trouxe mudanças para nossas vidas. Optei por cuidar dele sozinha. Nossa rotina e nossos horários mudaram totalmente. Hoje vivemos e fazemos a maioria das coisas em função dele, tivemos que nos adaptar aos horários de um recém-nascido, que mamava de duas em duas horas. Minhas horas de sono diminuíram, mas acordava muito feliz por poder alimentar meu filho. Graças à Deus não tive problemas com a amamentação e Igor ainda mama, faço questão de amamentá-lo ao menos até os 6 meses, gostaria de amamentá-lo por mais tempo mas não sei se será possível porque voltarei a trabalhar, mas vou tentar, sem culpa, porque nós mães temos tendência a nos sentir culpadas. Como mãe aprendi a me doar, um filho requer dedicação, muito amor, carinho e muita disposição. Às vezes nos sentimos exaustas, é normal, mas basta um sorriso ou um chorinho que já estamos lá, pronta para atendê-los. Nossos filhos são nossa razão de viver, depois que eles chegam tudo é por eles.

Ainda estou de licença maternidade e só de pensar em voltar a trabalhar já sinto saudades dos momentos com ele, do seu sorriso lindo e inocente, do seu “mmmmmmmmm” que pra mim é um ensaio pra chamar a palavra mais doce e linda, que espero ansiosamente pra ouvir: “mamãe”. Filho lindo, desde que você chegou mamãe e papai são muito mais felizes, você foi muito esperado e é muito amado por todos. Mamãe quer que você seja muito feliz e vai estar do seu lado sempre. Você foi a maior e a melhor mudança de nossas vidas. Papai e mamãe não existem mais sem você.

Desafios passageiros, vitórias para a vida… [por nossa leitora: Pollyanna Stelitano Estrela]

 

Eu e meu esposo começamos a namorar muito cedo e, depois de 11 anos de namoro e dois de casado, achávamos que era a hora de trazer mais alegria para a nossa casa e aumentar a família.

Soube que estava grávida no início do mês de outubro/2006, mas no final desse mesmo mês, acabei tendo um sangramento e quando fiz a ultrassom, o nosso bebê já não tinha mais batimentos cardíacos. Foi uma tristeza enorme, mas o que me confortava era saber de que se ele não veio para ficar conosco foi porque Deus não quis e, na nossa vida, nada acontece por acaso. Deus sempre tem um bom motivo.

Só que, depois da perda do nosso bebê, apareceram algumas prioridades profissionais e tivemos que aguardar mais um pouco.

Em agosto/2008, engravidei novamente. Nosso sonho de aumentar a família iria se realizar. Foi uma alegria para todos. E quando descobrimos que seria uma menininha, a felicidade foi ainda maior, pois estava para chegar a nossa Juliana, a primeira filha, a primeira neta, a primeira bisneta, a primeira sobrinha, a nossa Juju.

No início da gravidez tive alguns sangramentos e precisei ficar de repouso, mas depois tudo normalizou. No entanto, por volta do quinto mês, comecei a ficar muito inchada e, na consulta do sexto mês, a médica verificou que minha pressão estava alta e solicitou que eu fizesse uma ultrassom para ver como estava a placenta e o bebê. Com a ultrassom descobrimos que algo não ia bem. Eu não sabia direito o que era, mas sabia que a nossa Juju não estava engordando, ao contrário, estava perdendo peso.

Fiquei uma semana de repouso para ver se melhorava e fiz uma nova ultrassom. Era uma quinta-feira (12.2.2009) e assim que o médico acabou de fazer a ultra, ligou na mesma hora para a minha ginecologista e acharam melhor fazer logo o parto, pois achavam que teriam mais condições de salvá-la aqui fora do que se ela ficasse na minha barriga.

Naquele momento, meu mundo parece que estava desabando. Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo e o medo de perder a minha filha tomava conta de mim.

Assim que saí do consultório do médico da ultrassom, fui à farmácia tomar a primeira dose de corticóide para amadurecer os pulmões. No dia seguinte, tomei a segunda dose e, no Domingo, o parto seria feito.

No sábado, era meu aniversário e já estava tudo organizado para fazer também o chá de fraldas no mesmo dia. No entanto, tive que avisar aos amigos que a festinha estava cancelada, pois Juju iria nascer no Domingo e, até lá, eu precisava ficar de repouso.

Foram momentos de angústia e medo, pois a gente não sabia o que iria ocorrer. Só sabíamos que ela ia nascer muito pequenininha e que iria precisar ficar na UTI.

Rezamos muito e tivemos muito apoio das nossas famílias e amigos. Serei eternamente grata a todos que nos apoiaram e nos deram força naquele momento tão difícil.

Juju nasceu no dia 15.2.2009, com 29 semanas, 36 cm e 800 gramas. Ela era muito pequenininha e cabia, praticamente, na palma da nossa mão. Mas mesmo tão pequena, já chegou nos surpreendendo. A gente não sabia se ela iria chorar no parto como fazem a maioria dos bebês e os médicos diziam que, provavelmente, não choraria, pois era muito pequena. Mas realmente, ela surpreendeu. Ela chorou e quando escutei aquele chorinho, que já não estava esperando, chorei também de emoção e por saber que ela estava dando seus primeiros sinais de vida. Também, ao contrário do que os médicos disseram, o pediatra pôde leva-la até mim apenas por alguns segundinhos, pois ela precisava de cuidados especiais.

De fato, Juju foi direto para a UTI e ali começou a sua luta pela vida e a nossa fé e esperança de que ela sairia dali o quanto antes.

Lembro a primeira vez que a vi na UTI, dentro da incubadora, com um respirador, uma venda nos olhos por causa de uma luz azul, uma touquinha na cabeça e uma fralda que precisava ser cortada para dar nela. Olhava para a minha Princesa e rezava pedindo a Deus que ela saísse logo dali e com saúde.

Recebi alta e tive que voltar para casa deixando a nossa Juju lá. Ter que ir embora sem a minha filha nos braços foi muito difícil. Mas eu e meu esposo íamos diariamente para visita-la, eu ficava quase que o dia todo lá ao lado da incubadora dela, observando seus movimentos, sua respiração, ordenhando para não deixar o leite acabar para quando chegasse a hora em que pudesse amamenta-la.

Juju teve algumas infecções, precisou de transfusões, fez cirurgia de retinopatia, sem falar da luta diária sobre o peso. Como sabíamos que as enfermeiras pesavam todos os bebês logo de manhã cedo, quando eu e meu esposo acordávamos, a primeira coisa que fazíamos era ligar para lá para saber como ela tinha passado a noite e qual o peso que ela estava. A cada 5 ou 10 gramas que ela ganhava para a gente era uma alegria.

Alguns momentos foram especiais, o dia em que pude carrega-la nos braços a primeira vez e, quando, finalmente, pude amamenta-la. Quando a carreguei no colo, ela estava cheia de fios, toda enrolada em lençóis por causa do frio mas, a sensação que tive foi indescritível. Finalmente, estava carregando minha filha nos braços mesmo que por alguns minutinhos.

Juju ficou na UTI, durante longos 75 dias que pareciam não ter fim. Às vezes, íamos para casa à noite e ela estava super bem, sem respirador, com a saturação ótima, mas quando era no dia seguinte, ela tinha tido uma recaída, tinha voltado para o respirador. Eram muitos altos e baixos.

Nesse período passamos a conhecer a luta pela vida de vários prematuros. Um mundo que desconhecíamos e passamos a ver o quanto esses bebês são tão fortes apesar de tão pequenininhos. Conhecemos também a dedicação dos profissionais que trabalham na UTI neonatal. Eles foram fundamentais na recuperação de Juju e na minha e do meu esposo, pois quando estávamos tristes, muitas vezes, eles nos davam força, além de outros pais que também dividiam suas preocupações, angústias e felicidades.

Enfim, Juju completou 2 kg e recebeu alta. Poder levar a nossa filha para casa foi uma felicidade imensa, mas era preciso ter muito cuidado, pois ela tinha a imunidade baixa e, ainda, era preciso ter acompanhamento com neuropediatra, fisioterapia, fonoaudióloga e terapia ocupacional.

Juju fez um tratamento intensivo, principalmente, na terapia ocupacional para que não ficasse com nenhuma sequela. Mas, graças à Deus, tivemos a oportunidade de poder fazer tudo por ela e de ter bons profissionais ao nosso lado.

A cada evolução, para a gente era uma vitória, era uma etapa vencida: quando Juju começou a engatinhar, a falar e a andar.

Juju ainda não tinha um ano, quando engravidei novamente. Foi um susto imenso, pois eu ainda não tinha feito os exames para saber qual, realmente, o problema que eu tive e morri de medo de ter que passar por tudo de novo.

Mas, como descobri a gravidez muito no início, deu tempo de fazer os exames e constatar que eu tenho trombofilia. A partir disso, passei a ter acompanhamento com uma hematologista e a tomar anticoagulante, duas vezes ao dia durante toda a gestação.

Dessa vez, estava a caminho nosso Príncipe, Leonardo. A gravidez foi muito tranquila e Leléo nasceu com 38 semanas, no dia 18.8.2010, com 3,715Kg e 50cm.

Tudo ia bem, até que, quando Leo estava com dois meses, comecei a observar que ele não estava evacuando. Ele chegou a passar até dez dias sem evacuar e, mesmo colocando supositório, ele não conseguia fazer.

Levamos ele a uma gastro que, inicialmente, acreditou que fosse alergia à lactose e pediu que fizéssemos alguns exames. No entanto, os resultados desses exames constataram que o nosso Príncipe tinha megacólon congênito e fomos encaminhados ao cirurgião.

Após novos exames e biópsia, o médico informou que seria necessário fazer uma cirurgia. Leléo tinha apenas três meses e teve que fazer uma colostomia, isto é, foi externado um pedacinho do intestino e ele ficaria evacuando por ali até completar idade e peso suficiente para fazer a cirurgia definitiva.

Durante um ano convivemos com Leléo evacuando por esse pedacinho do intestino que ficava na barriga. Como ele não usava bolsa para colher as fezes, era todo um processo para trocar a fralda. Na realidade, cortávamos as fraldas e prendíamos na barriga com atadura. No entanto, várias vezes as fezes vazavam e se a gente estivesse na rua, tínhamos que voltar para casa na mesma hora, pois não era em todos os lugares que se tinham condições higiênicas da gente trocar ele. Para mim era uma contagem regressiva. Não via a hora dele fazer a cirurgia definitiva.

Exatamente um ano após, Leléo estava de novo numa sala de cirurgia, dessa vez, para corrigir de vez o intestino. Cinco horas de cirurgia pareciam uma eternidade. Ainda, foi preciso se internar um dia antes, pois era necessário fazer uma lavagem e deixar todo o organismo limpo de qualquer impureza. Mas, para mim, esse foi um dos piores momentos, Leléo chorava tanto e, depois disso, nenhum enfermeiro ou médico podia chegar perto que ele já chorava.

Depois da cirurgia, ele foi direto para a UTI e após 9 dias no hospital, recebeu alta. A recuperação dele foi ótima e, coincidência, ou não, parece que depois da cirurgia Leléo se sentiu libertado, pois é uma criança ativa e com uma alegria contagiante.

Hoje, ele está com 2 anos e 2 meses e continua ótimo sem qualquer intercorrência e, principalmente, com seu intestino funcionando perfeitamente.

Quanto à Juju, está com 3 anos e 8 meses, já recebeu alta de todos os médicos (terapia ocupacional, fono e fisioterapia), inteligente e nem parece que era uma bebê tão pequenininha e indefesa.

Agradecemos sempre a Deus por ter colocado dois anjos em nossas vidas e pelas vitórias que tiveram por superarem tantos desafios desde pequenininhos. Ficamos sempre ao lado deles, pois nunca deixamos de ter fé de que eles se recuperariam e fazemos tudo por eles.